Aracaju, 15 de outubro de 2026
A inspeção predial foi tema de um dos painéis da tarde desta quarta-feira (14/10), durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), realizada em Aracaju (SE). Com o auditório lotado, o encontro reuniu profissionais e participantes interessados em aprofundar conhecimentos sobre metodologias de inspeção, análise documental e avaliação das condições dos sistemas construtivos.

A programação contou com as apresentações da engenheira civil Flávia Pujadas, do engenheiro eletricista Cleber Galeote e do engenheiro mecânico Alexandre Lara. Os especialistas abordaram diferentes dimensões da inspeção predial, ressaltando a importância de uma avaliação técnica sistemática e da integração entre documentos, sistemas e procedimentos de manutenção.
Flávia Pujadas apresenta a evolução da inspeção predial no Brasil
A abertura do painel ficou a cargo da engenheira civil Flávia Pujadas, pós-graduada em perícias de engenharia e avaliações, coordenadora da Câmara de Perícias do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape-SP) e professora de cursos sobre vícios construtivos.

A palestrante apresentou um panorama histórico da inspeção predial no Brasil, tomando como referência o ano de 1997, quando o tema “saúde dos edifícios” ganhou destaque. Segundo ela, a iniciativa contou com a participação do Crea-SP e do Ibape-SP, que publicaram uma cartilha dedicada ao assunto.
Ao percorrer a evolução da atividade até 2025, Flávia destacou marcos importantes, como a criação da Câmara de Inspeção Predial do Ibape-SP e a publicação, em 2003, da primeira norma de inspeção predial da entidade. “A inspeção predial sempre foi concebida como uma atividade técnica a fim de avaliar o comportamento e o uso dos sistemas construtivos”, explicou.
Durante a apresentação, a engenheira também diferenciou a inspeção predial de outras atividades técnicas, como a vistoria e a perícia, destacando as particularidades de cada procedimento. “Inspeção predial não é vistoria. É um processo de avaliação”, afirmou.
Flávia detalhou ainda as etapas metodológicas da inspeção predial e ressaltou que o trabalho não se limita à identificação de problemas aparentes. A avaliação envolve análise de documentos e interpretação técnica das informações levantadas, contribuindo para uma compreensão mais ampla das condições da edificação.
Instalações elétricas exigem análise documental e atenção às medidas de proteção
Na sequência, o engenheiro eletricista Cleber Galeote, profissional com mais de 25 anos de experiência e atuação em consultoria nas áreas de operação e manutenção, abordou a inspeção das instalações elétricas e dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.

A apresentação enfatizou a importância da documentação técnica para subsidiar a avaliação dos sistemas elétricos. Entre os pontos discutidos estiveram os documentos mínimos a serem solicitados, a análise da documentação administrativa e os registros relacionados à manutenção das instalações.
O especialista também tratou das medidas de proteção contra choques elétricos e efeitos térmicos, além da identificação e atualização dos esquemas unifilares, documentos que representam graficamente a estrutura dos circuitos elétricos de uma instalação.
A abordagem destacou a necessidade de verificar não apenas as condições observadas durante a inspeção, mas também a existência, a consistência e a atualização dos registros que permitem compreender o funcionamento e o histórico de manutenção dos sistemas.
Engenharia mecânica e avaliação integrada dos sistemas prediais
Encerrando as apresentações, o engenheiro mecânico Alexandre Lara, com 39 anos de experiência em consultoria, discutiu os documentos específicos necessários à análise dos sistemas mecânicos prediais, conforme a metodologia estabelecida nas normas aplicáveis.

Pós-graduado em refrigeração e ar-condicionado e em avaliações e perícias em serviços de engenharia, o especialista abordou os sistemas de AVAC-R — aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração — e sua relação com os procedimentos de inspeção predial.
Lara também apresentou aspectos do trabalho desenvolvido no âmbito do CB-55, comitê brasileiro relacionado às áreas de refrigeração, ar-condicionado, ventilação e aquecimento, conforme a estrutura de normalização técnica mencionada durante a palestra.
Ao longo da exposição, o engenheiro organizou a análise em três dimensões complementares: documentação técnica, documentação administrativa e documentação de manutenção. “Temos que olhar de forma sistêmica a instalação”, concluiu.
Reportagem: Manoel Moreira da Nóbrega Netto (Crea-PB)
Edição: Beatriz Leal Craveiro (Confea)
Gestão de fotos: Paula Moreira
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea
